Nos palcos, Clarice, Nara, Simone de Beauvoir e outros
Clarice Lispector, Nara Leão, Simone de Beauvoir e outras personalidades da literatura e da música têm a vida exposta em montagens que trafegam entre ficção e realidade
O ritual de preparação leva duas horas, o que inclui a respiração ofegante, o corpo em movimentos bruscos, gritos e mantras entoados sem parar. A maquiagem, produzida delicadamente com a ponta dos dedos, consome mais uma hora e meia. E nada disso transforma Beth Goulart na personagem que encarna em “Simplesmente Eu, Clarice Lispector”, monólogo cujo texto e direção ela também assina. “O mais delicado é encontrar o impulso, a emoção, o estado de alma da personagem”, conta. “É essa emoção que une uma alma com a outra.” Só minutos antes de entrar em cena, fitando a plateia pelas frestas da cortina, a atriz encontra a emoção e o impulso de Clarice Lispector (1920-1977). Essa metamorfose cênica, processo que só se desfaz ao rufar das palmas, é o desafio que mais sete diferentes espetáculos também apresentam nos palcos brasileiros. É uma tendência no circuito teatral: a vida real de escritores, poetas e músicos transformada em dramaturgia. Nara Leão, Simone de Beauvoir, Noel Rosa, Vicente Celestino, Lamartine Babo e Fiodor Dostoiévski são alguns dos personagens que voltam à cena em espetáculos nos quais a ficção e a realidade se misturam.
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