As pilhérias literárias de Carlos & Carlos Sussekind
O carioca Carlos Sussekind de Mendonça Filho, 76, é uma espécie de saci literário
O carioca Carlos Sussekind de Mendonça Filho, 76, é uma espécie de saci literário. Entre as traquinagens de sua lavra, a que mais lhe dá orgulho é a da “correspondência machadiana do além”, executada há cinco décadas. O crítico Augusto Meyer nem era de seu círculo de amigos, mas, na condição de autoridade em Machado de Assis, tornou-se alvo da patuscada. Carlos escolheu, entre as valiosas cartas de Machado herdadas do avô (Lúcio de Mendonça, fundador da Academia Brasileira de Letras), uma que contivesse vagas menções familiares que pudessem passar como relativas a Meyer. Envelopou-a e remeteu-a ao intelectual, endereçada com pena Malet e nanquim, caligrafia rebuscada e o nome: “Joaquim Maria M. de Assis”. A brincadeira consistia em imaginar com que cara ficaria Meyer ao receber, pelo correio, uma carta endereçada a ele do punho de seu ídolo. Ao longo da entrevista concedida à Folha, numa tarde de ventania em Copacabana, o escritor fez revelações e admitiu que as brincadeiras, em sua maioria, tinham como objetivo conquistar teimosas donzelas. Foi o que ele quis com a carta de Machado para Augusto Meyer. Sua maquinação mais bem-sucedida, porém, é Armadilha para Lamartine (Companhia das Letras, 360 pp., R$ 61), romance de 1975. A autoria é creditada a “Carlos & Carlos Sussekind”, já que o romancista se baseia no diário do pai, proeminente jurista de mesmo nome. Sussekind Filho adulterou passagens, trocou nomes de pessoas, situações e referências, compondo uma narrativa meio ficcional e meio verdadeira, que se concentra em acontecimentos referentes ao ano de 1955. A crítica da época foi positiva e o livro ganhou notoriedade entre leitores seletos, que o julgaram extraordinário.
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