Dickens investigado
Livros, mulheres, fama, contradições - uma recente biografia de Charles Dickens dialoga com textos anteriores na tentativa de compreender o escritor
Existem autores cujas vidas e personalidades são de tamanha grandeza, tamanho fascínio, que é impossível escrever uma biografia monótona a seu respeito. Um deles é Charles Dickens. Sua turbulenta vida emocional, as violentas contradições de sua natureza e a incrível história de sua ascensão instantânea ao mais elevado patamar da fama literária e da popularidade podem ser recontadas infinitas vezes, e de fato foram relatadas num sem-número de obras. Dickens nasceu em 1812 e morreu em 1870, produzindo 15 romances. Foi certamente o homem mais conhecido da Inglaterra em meados do século 19. Meses após a morte de Dickens, as primeiras biografias começaram a aparecer e, em 1871, foi publicado o primeiro volume daquela que seria a mais influente das obras da indústria biográfica de Dickens: The Life of Charles Dickens, de John Forster, o mais íntimo e mais digno de confiança dentre os amigos do autor. Forster contou ao mundo muito daquilo de que não sabíamos, em especial a história de como, aos 12 anos, Dickens foi trabalhar na degradante (para o autor) fábrica de graxa para sapatos. Com a perspectiva diferenciada de testemunha ocular e sua perspicaz interpretação da natureza de Dickens, a obra de Forster é um documento essencial para todos os biógrafos do escritor que se seguiram, entre eles Michael Slater, autor do recente Charles Dickens (Yale Press). *Robert Gottlieb foi editor-chefe da Simon & Schuster e da Revista New Yorker.(The New York Review of Books)
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