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Ohno apostava na poesia como estratégia de sedição

19 de junho de 2010
2 min de leitura

Morto no sábado, editor publicou nomes como Hilda Hilst e Roberto Piva

Minha caixa de e-mails, no domingo à noite, 13, guardava mais de uma centena de mensagens de amigos entristecidos com a morte do editor Massao Ohno, na madrugada anterior. Todos se alternavam em anotações, relembranças e até desabafos (ah, os desabafos) a respeito da trajetória do último grande editor dos tempos românticos da produção editorial brasileira. Morto aos 74 anos, essa gentil figura tinha sua memória saudada em um coro uníssono de surdo agradecimento por seus trabalhos prestados com discrição, elegância e afinado faro. Massao Ohno colocou em circulação livros com design elaborado, em capas cuidadosamente desenhadas, muitas vezes ostentando de quebra trabalhos de novos artistas (veja só: Wesley Duke Lee, Tomoshigue Kusuno ou Rodrigo de Haro, quando jovens). Num balaio só, a sua cara: poesia e artes plásticas. Pura sofisticação. E o fez numa época em que a acuidade gráfica não integrava o elenco de preocupações do mercado editorial. O que é um bom editor? Aquele que afina o olhar e colhe em calejadas águas da soberba literária um promissor autor. No caso dele, poetas (anote: uma raça pouco humilde). (*Miguel de Almeida é escritor, editor e foi repórter de Ilustrada nos anos 1980).

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