Cony lança memória com 5% de invenção
Eu, aos Pedaços é coletânea de textos publicados em jornais e revistas pelo cronista nos últimos 50 anos
Carlos Heitor Cony nunca quis escrever uma autobiografia convencional, dessas que dizem “nasci na rua tal, em tal cidade, no ano tal”. Ao rigor cronológico do gênero autobiográfico, o escritor e colunista da Folha de 84 anos prefere a liberdade associada à palavra memória, mais “parcial e seletiva”. Não é de estranhar, então, que o autor se refira a Eu, aos pedaços (Leya, 256 pp., R$ 39,90), livro que lança agora, como o mais perto que já chegou de “cometer uma biografia de si mesmo”. Os pedaços em questão são crônicas publicadas na imprensa desde 1958, agrupadas por temas como infância, jornalismo e política. Em conjunto, as crônicas formam não um retrato definitivo, mas um esboço de um homem entre meados do século 20 e início do 21. “Se fosse fazer uma autobiografia verdadeira, teria que escrever todos os detalhes, pesquisar sobre minha família. Ao passo que nas crônicas não. Se surge uma dúvida, eu apelo logo para a ficção e resolvo tudo”, diz. O autor garante, contudo, que não abusou do recurso enquanto escrevia os textos do livro.
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