Michel Onfray e a coragem de ser feliz
Em A Potência de existir, o filósofo francês Michel Onfray examina o hedonismo sob a perspectiva do encontro de um prazer responsável
Um acerto de contas com o platonismo e o cristianismo: é assim que tem sido apresentada a filosofia do francês Michel Onfray. É preciso reconhecer que há muito do espírito nietzschiano nesta empreitada e Onfray não nega sua predileção pelos filósofos iconoclastas e materialistas. Tanto isto é verdade que ele tem se dedicado ativamente à produção de uma “contra-história da filosofia”, onde busca resgatar nomes propositadamente esquecidos pela história tradicional. Porém, ao contrário de muitos contemporâneos, ele não afundou na angústia e na desesperança: Onfray defende um hedonismo radical e profundo como forma de enfrentamento da dor e dos sofrimentos inerentes à vida. O que o homem ainda não entendeu é que foi a metafísica que nos fez viver de mentira (e das mentiras que ela criou), e que está na hora de produzirmos uma vida real. Não existe outra maneira de enfrentar e vencer o niilismo a não ser devolvendo ao corpo a sua potência de existir, isto é, libertando-o de uma moral que retirou dele a possibilidade das alegrias e dos prazeres reais. Aliás, o título do novo livro de Onfray é exatamente A potência de existir (WMF Martins Fontes, 192 pp., R$ 39,80). E, como diz seu subtítulo, trata-se de um “manifesto hedonista”.
*Regina Schöpke é filósofa, historiadora e autora, entre outros, de Por uma filosofia da diferença (Contraponto)
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