Obra de autora japonesa se concentra em fatos cotidianos
Lançamento é da Estação Liberdade
“Saiba que somos uma loja de quinquilharias e não de antiguidades e antigualhas”, diz o senhor Nakano nas primeiras páginas do romance Quinquilharias Nakano (Estação Liberdade, 284 pp., R$ 46). Proprietário da loja homônima ao livro, o senhor Nakano estabelece desde o início esta distinção que permeará a trama: há os objetos cotidianos, sem valor maior que o despertado pela curiosidade e a história pessoal dos clientes, e há as antiguidades de valor histórico inegável e pedigree largamente reconhecido. Em certo sentido, a autora japonesa Hiromi Kawakami constrói o que se poderia chamar uma “narrativa de quinquilharias”. Nada de enredos mirabolantes e espalhafatosos, nada de pretensões antiquárias. Dona de uma admirável capacidade de contenção, Kawakami se concentra em fatos pequenos, cotidianos, rasteiros, por vezes próximos a diários da vida. Enquanto o resto de sua obra não chega às terras tupiniquins, cabe ao leitor decidir se compra as “quinquilharias” de Hiromi Kawakami ou se prefere ainda a extravagância das “antiguidades”.
*Victoria Saramago é autora do romance Renée esfacelada e mestre em literatura brasileira pela UERJ.
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