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Assédio virtual e livresco

12 de maio de 2010
2 min de leitura

Ivan Lessa conta suas impressões sobre o Twitter

Há uns tempos, quando começou a novidade, me baixou um caboclo cibernético, desses bem enfezados, e fez com que eu me registrasse no Twitter. De cara, tive problemas com caráter, que, em seu sentido original, segundo meus velhos e inesquecíveis inimigos, sempre me faltara. Em informática, o que era um carácter? Também não sabia se era ou não para contar os espaços em branco. Na cara estava que, como nos telegramas, era para ser breve. Outra questão era o fato da língua portuguesa se prestar pouquíssimo às abreviações. Não sou homem de “4 U”. Comigo é “para você” mesmo. Resultado: fiquei menos de 24 horas na brincadeira. Fico sabendo agora que nas – e tomem aspas para não serem chatos – “comunidades” Twitter (são 100 milhões de usuários, Senhor!) estão elegendo programas de leitura não cibernetizada. Nancy Pearl, de Seattle, bolou uma espécie de clube do livro. Uma coisa garanto, vai ser duro para quem se acostumou a viver e se comunicar em menos de 140 characters, ler de David Foster Wallace a JD Salinger ou mesmo Dalton Trevisan. Eles precisam de, no mínimo, 1080 caracteres. Pensando bem, Dalton dava pra gorjear direitinho, sim.

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