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Menos capas para julgar

12 de abril de 2010
2 min de leitura

Em locais públicos, capas de livros atraem leitores em potencial ou dizem algo sobre o gosto do dono. Com leitores digitais, isso perde o valor

Bindu Wiles estava no metrô do Brooklyn, Nova York, em março, quando viu uma mulher lendo um livro cuja capa tinha uma instigante silhueta negra da cabeça de uma menina diante de um fundo laranja. Wiles notou que a mulher tinha mais ou menos a sua idade, 45, e levava consigo um colchão de ioga, então imaginou que elas tinham afinidades e se inclinou para ler o título: Little Bee, romance de Chris Cleave. Wiles, pós-graduanda em escrita de não-ficção na Faculdade Sarah Lawrence, em Bronxville, digitou uma anotação no seu iPhone e comprou o livro naquela mesma semana. Tais encontros estão ficando mais raros. Como cada vez mais gente usa o Kindle e outros aparelhos eletrônicos de leitura, e com a chegada do iPad, nem sempre é possível observar o que os outros estão lendo, ou projetar os seus próprios gostos literários. Não dá para julgar um livro por sua capa, caso ele não a tenha. “Há algo [de especial] em ter um belo livro que parece intelectualmente pesado e apetitoso”, disse Wiles, que se lembra de ter gostado quando recentemente, ao reler Anna Karenina, as pessoas podiam ver a capa no metrô. “Você se sente meio orgulhosa de estar lendo isso.” Com o Kindle ou o Nook, disse ela, “as pessoas jamais saberiam”. (The New York Times)

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