Biografia ilumina as criações de Jean-Luc Godard
Terceira biografia do cineasta em uma década, Godard é um completo registro da vida e obra do francês
Godard fez seu primeiro longa-metragem em 1959 (“Acossado”). Desde então, sua obra foi objeto de incontáveis análises. Até pouco tempo, no entanto, ninguém ousara escrever uma biografia de fôlego desse artista radical e controverso. O tabu foi quebrado em 2003, com Godard – A Portrait of the Artist at Seventies (Faber & Faber, 456 pp., US$ 17), de Colin MacCabe. Cinco anos depois, em 2008, apareceu outra biografia, ainda mais portentosa que a primeira, Everything Is Cinema – The Working Life of Jean-Luc Godard (Faber and Faber, 720 pp., US$ 44,70), de Richard Brody. O pioneirismo desses dois autores provocou uma situação humilhante para a França, aos olhos da cinefilia internacional: o maior diretor do país fora “apropriado” biograficamente por pesquisadores de língua inglesa. Godard (Grasset, 944 p., 25 euros), de Antoine de Baecque, é a gigantesca e um tanto tardia resposta francesa. De Baecque levou em conta as pesquisas feitas pelos biógrafos anteriores, aprofundando-as e corrigindo-as. É extremamente meticuloso na descrição dos eventos e dos personagens, na tabulação da cronologia e dos números (gastos de produção, público dos filmes etc.) e até na apuração dos endereços.Mas o principal mérito de De Baecque é ter realizado o que nenhum outro conseguiu: fazer uma completa arqueologia da obra, descrever a construção material e artística de cada filme e expor com muita procedência os eventos sociais, interpessoais e psicológicos relacionados às sucessivas “viradas” godardianas.
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