Sob o martelo das leis do mercado
Em O projeto de Rembrandt, Svetlana Alpers propõe uma história da arte pautada pelas estratégias de comercialização
Em 2001, na Sotheby’s, uma escultura de porcelana retratando Michael Jackson, de Jeff Koons, alcançou US$ 5,1 milhões depois de poucos lances. Espanto: o artista nem encostou a mão na obra, mandada fazer na China. Além disso, a peça é “de mau gosto”. Como pode valer tanto uma coisa assim, que mostra um pop star? A resposta está no livro O projeto de Rembrandt – O ateliê e o mercado (Companhia das Letras, 376 pp., R$ 72 – Trad. Vera Pereira). A obra é uma proposta de entrar na história da arte não pelo conteúdo das obras, forma ou estilo, mas seguindo as estratégias de produção e comercialização praticadas pelo artista, descrito então como pictor oeconomicus (e não economicus como aparece no livro, ou na tradução). O livro é rico demais para ser discutido aqui em sua totalidade, ficarei só com o quarto capítulo, o mais interessante ao investigar como Rembrandt se posicionou (a palavra vale bem, aqui) no mercado. Leia um trecho do livro.
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