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Depressões reúne contos de Herta Müller

09 de abril de 2010
2 min de leitura

Pouco conhecida no Brasil, ela estreou em 1982 com o livro traduzido agora no país

As escolhas do Prêmio Nobel de Literatura costumam alternar deliberadamente nomes consagrados e outros bem pouco conhecidos, até mesmo dos especialistas. Foi assim que, no ano passado, quando os favoritos eram Amós Oz e Philip Roth, o prêmio foi para Herta Müller. Nascida em 1953 numa aldeia da Romênia habitada por alemães e descendentes, a escritora costuma ser encaixada no nicho da “literatura de minorias”. Sua condição de exilada é inerente: falava e escrevia em alemão na Romênia comunista e hoje é uma estrangeira na Alemanha, para onde conseguiu emigrar em 1987. A escritora estreou em 1982 com os contos de Depressões (Globo, 168 pp., R$ 29,90 – Trad.: Ingrid Ani Assmann), que saem agora no Brasil. O livro foi publicado com trechos censurados na Romênia e, dois anos depois, em versão integral na Alemanha. A literatura de Herta é marcada pela experiência de crescer numa ditadura sanguinária e exploradora. Entre os regimes do antigo bloco soviético, o da Romênia era o mais exótico – uma mistura de tirania stalinista com monarquia feudal encabeçada pela família Ceausescu. O ambiente rural em que Herta passou a infância, particularmente maltratado pelo governo, extremamente miserável e apodrecido pela estagnação, parece exigir uma linguagem particular para abordá-lo, e a autora se entregou a esse desafio.

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