Bibliotecas atraem um novo consumidor cultural
São pessoas que vão em busca não só de livros, mas de filmes, revistas, jornais e acesso à internet.
Numa manhã de março, Marcílio Cruz, de 42 anos, acordou e seguiu para o prédio da Biblioteca Nacional, no centro do Rio. Ele nunca leu um livro, mas faz o mesmo trajeto todos os dias. Cruz trabalha como segurança da biblioteca. Em São Paulo vivem os irmãos Felipe Almeida, de 7 anos, e Vitória, de 6. Eles moram na casa do avô, dizem que apanham muito da mãe e nunca foram à escola. A menina sabe escrever o próprio nome e o menino rabisca algumas palavras. Desde fevereiro, quando o governo do Estado inaugurou uma biblioteca pública na vizinhança, eles não saem mais de lá. Passam o dia no lugar e só voltam para casa ao anoitecer. A Biblioteca Nacional é considerada uma das dez mais importantes do mundo pela Unesco. A recém-inaugurada Biblioteca de São Paulo foi construída no terreno onde antes funcionava a Casa de Detenção do Carandiru. As duas instituições são bem diferentes, mas cada uma, a seu modo, oferece respostas para quem acha que as bibliotecas estão com os dias contados, numa sociedade em que a difusão de tecnologia ampliou muito o acesso à informação que antes só podia ser encontrada nos livros.
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