Em classe, o papel da escrita criativa
O mestrado em Creative Writing do Hunter College, de Nova York, é ícone de uma vigorosa tendência da literatura americana do pós-guerra
Na sala de aula ainda vazia, trechos de conversas chegam do corredor. “Diáspora africana”, “literatura marxista” e “Shakespeare”; as palavras bem poderiam ser arranjadas como peças num palco para compor o cenário a seguir. O professor chega, pontual e sorridente, trazendo uma convidada. O escritor Nathan Englander – autor de Para alívio dos impulsos insuportáveis (Rocco, 221 pp., R$ 36) e O ministério de casos especiais (Rocco, 439 pp., R$ 55) e que esteve no Brasil para participar da Flip 2008 – pertence à melhor tradição de humor judaico. O corpo docente do mestrado do Hunter College dá uma ideia da importância do curso que se tornou uma poderosa atração acadêmica do pós-guerra americano. O curso é dirigido por um renomado poeta, Tom Sleigh. Além de Nathan Englander, há, entre os professores, luminares como o irlandês Colum McCann, o australiano Peter Carey, Claire Messud, o coreano Chang rae-Lee. A turma de seis alunas e cinco alunos está reunida em torno da longa mesa retangular. Aqui como lá a dinâmica entre instrutor e aprendiz é a mesma da Grécia Antiga. O primeiro curso de Escrita Criativa foi criado no Middlebury College de Vermont, na década de 20, e era conduzido pelo poeta Robert Frost. Mas foi o Iowa Writers” Workshop, fundado em 1936, cujos alunos ganharam 16 prêmios Pulitzer, que ajudou a definir e difundir este tipo de ensino, considerado por muitos escritores como uma contradição em termos.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta