Todos querem um assento na ABL
Disputa pela vaga de José Mindlin é uma das mais acirradas em 20 anos
Não faltam aspirantes à imortalidade. É assim desde o tempo em que Machado de Assis e um grupo de intelectuais se reuniram numa salinha emprestada no Centro do Rio, no fim do século 19, para criar a Academia Brasileira de Letras. Em 123 anos, a atração que a casa exerce entre uma boa parcela da intelectualidade brasileira só fez aumentar. O assédio é tão intenso que Marcos Vilaça, atual presidente, contabilizou um a um os pretendentes. Chegou a uma lista de 43 interessados esperando a hora certa de se candidatar. Com tantos pretendentes, chama atenção que apenas 4 tenham se inscrito na eleição para a cadeira 29, vaga desde 28 de fevereiro com a morte de José Mindlin. Prova de que não basta querer ser um imortal. “É preciso saber o momento exato de apresentar a candidatura”, ensina o acadêmico Domício Proença Filho. Estratégia é fundamental. Medalhões como o crítico Antonio Candido, que nunca aceitou se candidatar, são sempre bem-vindos. Mas não há um critério claro que justifique a escolha de cada 1 dos 40 acadêmicos. Nem sempre o que mais conta são os dotes literários ou intelectuais do candidato. A eleição do dia 2 de junho é uma das mais disputadas dos últimos 20 anos. O favorito até agora é o embaixador Geraldo Holanda Cavalcanti, de 81 anos, famoso por suas traduções de poetas italianos.
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