Detalhes tão pequenos
Inspirado por Cidadão Kane, biógrafo francês retrata figuras como Picasso e Kipling
“Cidadão Kane também me fez biógrafo”, admite o francês Pierre Assouline, na introdução de seu Rosebud (Rocco, 208 pp., R$ 33,50), que reúne fragmentos das vidas de nove personalidades importantes do século 20. O escritor e crítico, um dos principais biógrafos de seu país, busca, como o filme de Orson Welles, a zona de sombra de seus personagens. Ao analisar a vida de personalidades tão complexas quanto o personagem de Welles – Rudyard Kipling, Jean Moulin, Pablo Picasso ou Henri CartierBresson – Assouline vai além da história oficial e daquilo que ele descreve como “o cansaço das provas”. Muito além dos documentos, dos arquivos e das fontes oficiais, tenta encontrar, no rosebud de cada um, o equilíbrio entre a veracidade histórica e a sua devida parte de mistério. “É justamente este equilíbrio incerto que eu nunca canso de procurar”, explica Assouline. “Faço isso pelo menos desde Lutetia (livro de 2005, não lançado no Brasil, que retrata a Segunda Guerra) num registro ainda mais híbrido, que é o do romance saído de uma documentação rigorosa, mas com espaço para a forma literária.
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