Em busca do tempo perdido
Estudo publicado em três volumes sinaliza a redescoberta do período imperial e ajuda a compreender melhor o País
Tudo neste mundo é moda, e pode-se dizer, sem medo de errar, que a historiografia não escapa desses ditames, mais ou menos mundanos. Um bom exemplo, que bem define o modelo nacional, é o caso do Império brasileiro, que padeceu de mal contrário: permaneceu longe da predileção dos especialistas. Para muitos historiadores, ele representou a imitação de modelos que só faziam sentido alhures; para outros, uma cópia desbotada das monarquias europeias. Definido como conservador, o Império brasileiro parecia carecer de maior relevância na conformação da nacionalidade. Tal perspectiva tem passado, porém, por séria revisão nas últimas duas décadas. Mais recentemente, e como mostra José Murilo de Carvalho na apresentação aos três volumes de O Brasil Imperial (Civilização Brasileira, 1.381 pp., R$ 59,90 cada livro), o interesse vem sendo despertado até por conta das efemérides. No total são 31 capítulos, escritos por pesquisadores – grandes especialistas no período –, em sua maior parte provenientes do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. O resultado é surpreendente, tal o painel que a obra propicia.
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