Orwell faz duro retrato da pobreza
Livro é resultado do convívio de dois meses do autor com os trabalhadores de mineração do norte da Inglaterra
Raymond Raymond Williams foi quem melhor entendeu George Orwell. Para ele, a literatura e as ideias de Orwell tinham o profundo valor da sinceridade e abrigavam uma incontável série de paradoxos. Em O caminho para Wigan Píer (Companhia das Letras, 272 pp., R$ 46 – Trad.: Isa Mara Lando), espécie singular de reportagem realista e manifesto político, encontramos ambas as coisas. Dividido em duas partes, começa por descrever, de maneira direta e virulenta, as condições de vida miseráveis dos trabalhadores do norte da Inglaterra à beira da Segunda Guerra. Aqui, toda a força do estilo sincero e materialista do autor aparece, remetendo a uma tradição que vai de Engels e Zola a Dickens. Ao mesmo tempo, sua peregrinação ao horror dos que vivem sob o capital vai se entrecortando por reflexões sobre sua vida, o imperialismo britânico, o pesadelo de sua época de aluno em escola de elite. Na segunda parte, a elite inglesa e a classe média que lhe é a pálida imagem são os alvos principais, incluindo ai socialistas, liberais e comunistas.
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