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A vida dos outros por um olhar cúmplice

20 de março de 2010
2 min de leitura

Avalanche de biografias no mercado provoca lançamento de ensaios sobre o gênero

Num livro recentemente lançado e essencial para se entender o gênero, O desafio biográfico (Edusp, 440 pp., R$ 65 – Trad.: Gilson Césare Cardoso de Souza), o historiador francês François Dosse diz que Claude Arnaud, autor de uma biografia de Jean Cocteau, reduziu sua atividade ao comportamento de um canibal: o biógrafo seria aquele que bebe o sangue do poeta para erigir-lhe um túmulo. Arnaud, de dez em dez anos, tem um surto incontrolável de escrever a biografia de uma celebridade. E não apenas ele. Só esta semana estão sendo lançadas pela Companhia das Letras duas biografias de escritores célebres: Rimbaud: A vida dupla de um rebelde, do norte-americano Edmund White, e O mundo prodigioso que tenho na cabeça (ou Franz Kafka: Um ensaio biográfico), de Louis Begley. A lista de lançamentos poderia continuar, mas bastam esses exemplos para provar que o gênero é o filão literário mais cobiçado pelas editoras.Arnaud, profissional que escreveu sobre a vida de vários autores, costuma dizer que esse crescente interesse do mundo editorial fez com que ficasse clara a distinção entre o historiador e o biógrafo: o último seria aquele capaz de “invadir a personalidade alheia”.

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