A vida dentro da gaiola
Com ironia e sem drama, jornalista chinesa traça retrato do país na fundamental década de 80
Mais um livro de memórias de uma chinesa, que enfrenta a opressão do regime e vence todos os obstáculos para contar sua trajetória, não é exatamente uma notícia palpitante. Mas a obra da jornalista Lijia Zhang, nascida em Nanjing numa típica família proletária, preocupada com sobrevivência e não com sonhos, traz um novo ângulo nessa linhagem de relatos femininos sobre a história do país que vem fascinando o mundo com seu milagre do crescimento e desequilibrando o eixo do poder mundial. O relato de Lijia começa onde a maioria dos outros acaba e fala de um período fundamental para se entender a China de hoje. Ela cresceu nos anos 80 e foi à luta num tempo em que seu país enterrava a herança de Mao, se transformava e rumava para o fatídico junho de 1989 na Praça da Paz Celestial. É exatamente essa década o pano de fundo de Socialism is great — a worker’s memoir of the new China (lançado nos EUA pela Anchor Books).
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