Memórias relembram geração utópica
Dashiell Hammett, companheiro de Lillian Hellman, tem presença marcante no livro
Duas coisas saltam à vista durante a leitura deste primeiro volume de memórias mais ou menos reais da dramaturga americana Lillian Hellman, Uma mulher inacabada (José Olympio, 384 pp., R$ 49 – Trad.: Carlos Sussekind): a importância do papel ocupado por seu companheiro de mais de 30 anos, o escritor Dashiell Hammett, e a impressão de que os homens e mulheres daquela época, ou os artistas, eram gente de outro talante. Nascida em Nova Orleans em 1905, Lillian conheceu Hammett em um restaurante de Hollywood, quando ela tinha 24 e ele, 36 anos. O autor de O falcão maltês já era um nome respeitado. Ao contrário dos escritores da moda em Nova York e Hollywood, surgidos, segundo Lillian, “a cada temporada de inverno”, ele manteve a aura. Não que ela fale de Hammett o tempo todo. Mas a sombra do companheiro paira sobre a narrativa mesmo quando Lillian está contando outros casos.
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