O mamagalismo de García Márquez
Livro do inglês Gerald Martin peca por não mostrar o escritor de carne e osso
García Márquez nunca concedeu a Gerald Martin uma “entrevista desarmada e sincera”, com a qual o biógrafo ainda sonha. Tal entrevista seria “uma indecência”, segundo o escritor colombiano – o que soa estranho para um velho repórter. Pelas contas de Martin, os dois estiveram juntos no total um mês – em tempos diferentes e lugares diversos, de forma privada e pública. Nesse período, Martin ouviu um conselho cascudo: “Apenas escreva o que você vê. Seja lá o que escrever, é o que serei”. Pegar o fio da meada para fazer Gabriel García Márquez: uma biografia – o autor é o primeiro a admitir – também não foi nada fácil. Gerald Martin teve de decifrar as múltiplas versões que o escritor costuma dar aos momentos importantes de sua vida – sem falar que ele próprio, adiantando-se ao biógrafo, escreveu uma autobiografia, Viver para contar.
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