A biografia tolerada
Dia 24 chega às livrarias do Brasil livro de Gerald Martin sobre Gabriel García Márquez
“Bem, suponho que todo escritor respeitável devesse ter um biógrafo inglês”, disse Gabriel García Márquez ao ouvir numa conversa o nome de Gerald Martin, o sujeito que desde 1991 vem escarafunchando a vida dele. Parte dessa investigação apareceu em 2008, com a publicação de Gabriel García Márquez: uma vida, cuja tradução chega às livrarias do Brasil no dia 24 de março como Gabriel García Márquez: uma biografia (Ediouro, 784 pp., R$ 89,90 – Trad.: Cordelia Magalhães). Parte porque, segundo Martin, trata-se de uma versão “compacta”, apesar de suas quase 800 páginas, de uma biografia muito mais longa, provavelmente em cinco volumes, que o inglês pretende publicar no futuro. O autor considera sensato atrasar a tarefa gigantesca enquanto o tema da obra, “agora um homem com mais de 80 anos, ainda está vivo e em condições de lê-la”. Quando começou o trabalho, o biógrafo ouviu de todos com quem conversou: “Você jamais conseguirá vê-lo e, se conseguir, ele não vai cooperar”. A primeira barreira Martin venceu: encontrou pessoalmente o biografado. Mas não se pode dizer que ele estivesse transbordando de entusiasmo, pois falou: “Por que você quer escrever uma biografia? Biografias significam morte”.
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