A reconstrução da realidade marca o romance Nada a Dizer
Nova obra de Elvira Vigna parte da pintura hiper-realista para rever valores
O prazer da leitura de Nada a dizer (Companhia das Letras, 168 pp., R$ 38) é semelhante ao de se admirar um quadro hiper-realista, em que as aparências enganam. O novo romance de Elvira Vigna conta uma história aparentemente corriqueira: sexagenário, Paulo inicia uma relação extraconjugal com N., mulher 20 anos mais nova. O adultério logo é descoberto pela esposa de Paulo, que assume o papel de narradora da trama. Ou seja, o caso é apresentado sob o ponto de vista da figura traída que disseca todos os momentos a ponto de expor a verdade com uma tal nudez que a palavra se torna desnecessária – não há mais o que se dizer. “Assim como vislumbra uma tela, o leitor/observador tem uma primeira impressão da trama que não lhe apresenta novidades. Ao fazer uma revisão, no entanto, acontece o mesmo quando diante de um quadro hiper-realista, em que as pinceladas perdem a hierarquia e o principal e o secundário têm a mesma importância.”, diz a autora.
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