Sempre que estou só, estou desaparecido
Neste lançamento, Enrique Vila-Matas aborda dilema entre exposição e reclusão, angústia para ele comum aos que vivem da literatura
Os livros de Enrique Vila-Matas são repletos de citações de outros autores. Em Doutor Pasavento (Cosac Naify, 412 pp; R$ 55), o leitor fica atordoado entre as centenas de pílulas intelectuais de terceiros. Em entrevista por telefone à Folha ele conta que “metade delas são falsas”. “Trabalho com um tipo de sintaxe que me permite passar de uma fase a outra graças a uma citação inventada.” Vila-Matas tem um cânone literário particular, do qual retira a essência de sua obra. Destaque no panteão, o suíço Robert Walser (1878-1956) é o guia de Doutor Pasavento. Walser, “herói moral” de Vila-Matas, que passou seus 27 últimos anos de vida internado em asilos, sem escrever, demarca a jornada do tal “doutor” em busca da arte de desaparecer. Para ler a entrevista da Folha, clique aqui. Para ler o texto de Gonçalo M. Tavares sobre o livro, visite o blog da editora.
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