Tools of change
Direitos autorais, pirataria e anti-DRM dominam o Tools of Change (TOC), em NY
Direitos autorais, pirataria e DRM [Digital Rights Management] (ou melhor, o argumento anti-DMR), a necessidade de os editores aprenderem as lições da indústria fonográfica e das primeiras tentativas nos e-books foram os temas dominantes do Tools of Change (TOC), em Nova Iorque [realizado entre os dias 22 e 24 de fevereiro]. As inscrições para o TOC foram, mais uma vez, esgotadas, com mais de mil participantes, e os tecnomaníacos continuam os grandes vilões das reuniões digitais. Agora o evento tem três dias, embora alguns dias tenham sido destinados a workshops.
O segundo dia viu grandes nomes no palco. “Lei não é uma solução de negócios, ela deveria apenas ser usada para resolver problemas que são exclusivamente legais”, disse o advogado de direitos autorais da Google, William Patry, em uma das muitas palestras. Patry falou como pessoa física: “se eu fosse um porta-voz da Google eu não seria autorizado a falar”. Ele não fez comentários abertos sobre a últimas determinações, embora ela pairasse, podemos dizer, no ar.
O estilo “capitalismo regulatório” de Washinghton implica uma incapacidade de inovar e um medo do mercado como um processo dinâmico, afirmou Patry. “Os estados Unidos se tornaram a gorda complacente Detroit das nações. A lei de direitos autorais se tornou uma forma de tirar leite de uma vaca velha que está secando”. Muitas pessoas contam com a lei de direitos autorais como se fosse o plano de negócios delas. Como Kirk Biglione disse mais tarde sobre as lições aprendidas da indústria fonográfica, “litígio não vai parar o futuro”.
Skip Prichard, da Ingram, respondeu à questão “Os livros digitais estão mortos?”: “Não há direito fundamental para que ele sobreviva”. Dada a “velocidade da inovação”, os livros digitais de hoje estarão mortos amanhã. “Pensando como uma empresa, esqueça o foco no mercado internacional e ao invés disso foque no seu alvo, no seu “diferencial único” – os limites são variáveis dependendo de quem você é e de quem é o seu consumidor”, disse.
Dominique Raccah, fundador e presidente da Sourcebooks, apresentou alguns dados da indústria fonográfica: a despeito do que podemos entender como verdade, durante a primeira metade de 2009, os CDs ainda contabilizavam 65% de toda a venda de música. A lição: “o Mercado de massa responde um pouco mais devagar do que você pensa… Eu peso que trabalhar com vendedores será uma parte enorme do mercado do futuro. Ela aconselhou: “defina poucos alvos e compita fortemente em menos mercados”. Como Prichard, ela argumentou, “pense no que você é especialista, para qual comunidade você é um essencial. Pense no conteúdo que você tem e questione se existe a possibilidade de criar algo diferente.”. “Liderança de categoria permite que você expanda a marca”, como a Sourcebooks fez com o livro de nomes de bebês e agora o seu aplicativo para iPhone.
Brian O’Leary, da Magellan Media, que vem estudando o impacto do compartilhamento peer-to-peer (P2P) de arquivos de conteúdos pagos para a O’Reilly, seguindo sua lista de lançamentos de 2008, também teve algumas surpresas. O que ele encontrou foi mais “um volume pequeno de sementes e sanguessugas” do que pirataria difundida e pirataria que “tem picos precoces e cai rapidamente”.
Mais interessante, talvez, tenha sido o “aumento inesperado nas vendas de sites pagos depois que a pirataria foi percebida”. O’Reilly vende conteúdo sem DRM e no total, três terços da lista ainda não foi pirateado. Mas “correlação não é causalidade”, O’Leary advertiu. O único jeito de sabermos se há causalidade é fazer um estudo muito maior envolvendo mais editoras, ele disse repetindo o que já tinha dito na Feira de Frankfurt.
Ele está certo, porém, que “você cria pirataria quando falha ao lançar um conteúdo digital. Não tente resolver pirataria: pense em como administrá-la”. Ele advertiu contra a compra da última novidade para resolver isso, que pode facilmente resultar no “fazer a coisa errada”.
No último outono, O’Leary também começou a estudar a Thomas Nelson, que usa DRM para o compartilhamento P2P, mas ele não encontrou nenhum título da Thomas Nelson em sites monitorados a partir daquele mês. “DRM não tem impacto na pirataria, ele tem impacto no que os leitores fazem”, afirmou, numa mensagem que foi repetida em palestra anterior da Biglione. “A indústria fonográfica fez mal ao confundir a demanda dos consumidores por pirataria”, e Biglione demonstrou o que acontece hoje com os livros: ele é um fã do Thomas Pynchon, cujos romances ainda não estão disponívels para e-books – a menos que você vá a um site de compartilhamento.
A indústria fonográfica, Biglione nos relembrou, fez muito dinheiro com CDs nos anos 90. Editoras deviam “esquecer esse momento iPod. Se elas estiverem no momento da digitalização, elas têm um potencial para um momento-CD”.
Ele destroi o argumento pró-DRM ao lembrar dos ouvintes do desastroso “PlaysForSure”, no padrão DRM, lançado em 2004. “O iPod funcionou, era legal, as pessoas o queriam. A Apple nunca licenciou o PlaysForSure.” Ele conectou essa história com a situação do uso do ePub “envolto na propriedade DRM”; “não é mais ePub. Eu acho que essa história vai acabar como o PlaysForSure. As pessoas vão perceber que o DRM gratuito é o único caminho”.
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