O místico selvagem
Em tradução primorosa, Correspondência de Rimbaud revela a gênese do poeta maldito e do explorador colonial
Em 1924, o jovem Carlos Drummond escreve a Mário de Andrade: “Nasci em Minas, quando devera nascer (não veja cabotinismo nesta confissão, peço-lhe!) em Paris. O meio em que vivo me é estranho: sou um exilado”. Em 1879, o jovem Arthur Rimbaud (1854-91) escrevia de Charleville a seu mentor: “Minha cidade natal é supremamente idiota entre todas as cidades pequenas da província. Estamos exilados em nossa própria pátria!!!”. Em Drummond e Rimbaud, a província é o berço onde a revolta artística do poeta se amamenta de maneira voraz e contraditória. O périplo desvairado de Rimbaud pela província francesa, por Paris e a Europa e pelo verdadeiro exílio em países coloniais pode ser agora acompanhado nas próprias palavras do poeta [em Correspondência (Topbooks, 476 pp., R$ 59 – Organização e tradução: Ivo Barroso)]. A biografia erudita de Ivo Barroso complementa a autobiografia em conta-gotas de Rimbaud. O leitor fica diante dos plenos e dos vazios de um reality show sem trapaças.
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