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Com tantas e frequentes revisões históricas, fiar-se só nos livros pode ser roubada. Aí é que entra a Wikipedia
Só nos últimos dez dias fomos informados de que o faraó Tutancâmon morreu de malária e o filósofo René Descartes foi envenenado por um padre, que as pirâmides do Egito afinal não foram construídas com trabalho escravo e o homem singra os mares há muito mais tempo (e 70 mil anos é muito tempo) do que se acreditava. Quatro revisões históricas no espaço de 240 horas, um recorde. Fiar-se unicamente nos registros analógicos (livros e enciclopédias impressos) pode ser uma roubada. Muitos deles já chegam às estantes superados por uma descoberta recentíssima. Com tantas e tão constantes revisões históricas, ficamos ainda mais à mercê do registro digital, viramos vassalos da Wikipedia. Ruim com ela (os verbetes das enciclopédias tradicionais, da lavra exclusiva de especialistas, são mais confiáveis que os da Wikipedia), pior sem ela. Como recomendava Stendhal, “nunca se esqueça de desconfiar”.
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