Madeleine suburbana
Livro de Marcus Vinícius Faustini explora o Rio dos anos 80
Entre modesto e pretensioso, Guia afetivo da periferia (Aeroplano, 183 pp., R$ 30), de Marcus Vinícius Faustini, acaba se fazendo valer mesmo pela simplicidade. Seu mérito está mais na aposta no afeto do que no guia. E ainda bem que é assim, pois Faustini, antes de mais nada, muito corajosamente, abre o álbum de suas memórias nuas e cruas e são elas que reconfiguram qualquer trajeto entre Santa Cruz e Ipanema, onde, como ele diz, tudo está. Uma seleção de crônicas da infância e do início da juventude de um garoto suburbano inquieto explora uma ótica interessantíssima do Rio de Janeiro dos anos 80 e de como a história dessa cidade, e dos conflitos que sacudiam o mundo, em especial o vislumbre de um possível comunismo, atingia a juventude de então. Um passeio a pé pela cidade propicia encontros tanto com o ingênuo Simplício, personagem de A luneta mágica, de Joaquim Manoel de Macedo, quanto com Trotski. A rua que merece destaque especial no guia afetivo do autor, e que junta estas duas personagens, é a Rua das Marrecas.
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