Espaços de liberdade
Livro relata trabalho de mediadores de leitura com populações marginalizadas em países da América Latina
Numa das muitas histórias sobre grupos de leitura em regiões em conflito reunidas em A arte de ler (Editora 34, 304 pp., R$ 42 – Trad. Arthur Bueno e Camila Boldrini), a antropóloga francesa Michèle Petit conta o caso dos bibliotecários da Comuna 13, um conjunto de bairros pobres na periferia de Medellín. No fogo cruzado entre guerrilheiros das FARC e paramilitares colombianos, a biblioteca se transformou em ponto de encontro para jovens da vizinhança, que encontravam nas atividades promovidas pelos funcionários e nos livros disponíveis nas estantes um refúgio momentâneo para a brutalidade da rotina. A história pode sugerir uma visão um tanto romântica da cultura como antídoto para a barbárie, mas Michèle Petit argumenta que o trabalho de pessoas como os bibliotecários de Medellín nada tem de ingênuo.
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