O cruel desengano de Carson McCullers
Personagens errantes protagonizam textos que transpiram melancolia.
A Balada do Café Triste e Outras Histórias (José Olympio, 192 pp., R$ 39 – Trad.: Caio Fernando Abreu) é o último livro de sucesso de Carson McCullers, escritora americana que morreu aos 50 anos. Nascida na Geórgia, teve uma infância marcada pelo preconceito e sofreu por sua homossexualidade reprimida. Empurrada ao casamento, viu seu marido suicidar-se quando ela se assumiu. Poucos anos depois, sofreu uma doença que a deixou com o lado esquerdo paralisado. Com uma biografia tão dramática como essa, não é de estranhar que sua curta obra transpire melancolia, niilismo e sofrimento.Este livro reúne sete contos. Na verdade, como o nome já aponta, são seis contos curtos e uma novela mais extensa. Carson McCullers é dona de uma narrativa muito visual e isso fez que quase todos os seus poucos livros fossem adaptados para o cinema. Os mais famosos são Cruel Desengano, A Um Passo da Eternidade e Os Pecados de Todos Nós. O próprio A Balada do Café Triste ganhou as telas (não com o brilho de seus antecessores), em 1991, com o infeliz título em português de “Paixão Selvagem”.
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