Política e mentira na derrocada de John Edwards
Livro de ex-assessor conta operação para esconder amante e gravidez durante a campanha presidencial
Livros escritos por ex-assessores caídos em desgraça costumam ser chatos e previsíveis. Os autores neles despejam todos os podres vivenciados e acobertados, constroem desculpas edificantes para justificar as próprias vilanias, e tentam, de uma só tacada, salvar a pele e o bolso. Recém chegado às livrarias dos Estados Unidos, The politician (Thomas Dunne Books, 320 pp., US$ 24,99), do americano Andrew Young, segue a receita. Ainda assim, merece ser esmiuçado. Além de retratar a intersecção entre ambição política e mentira patológica, sexo e poder, ele levanta (involuntariamente) uma pergunta sempre incômoda para a grande imprensa: infidelidades, adultérios ou devassidões privadas de um homem público devem ser trazidos ao conhecimento do leitor? E do eleitor? No caso, o político do título é o ex-senador americano John Edwards, candidato a vice-presidente dos EUA na chapa de John Kerry em 2004, duas vezes candidato à indicação democrata para presidente (2004 e 2008) e darling de uma boa parcela do eleitorado jovem e progressista até o surgimento meteórico de Barack Obama.
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