O raio do tesão pela leitura
Escritores marmanjos discutem o sucesso de livros que trazem no enredo vampiros e lobisomens
Feira de Porto Alegre 2009. Mesa de almoço. Um grupo de escritores discutiam apaixonadamente vampiros e lobisomens. O motivo, óbvio, era o tremendo sucesso da série Crepúsculo, livros e filmes, que seguia o rumo aberto por Harry Potter. Ali, ninguém acreditava no argumento do puro marketing, ou marketing sem produto, que procura justificar a paixão adolescente pelas séries. Eu disse paixão adolescente? E o que fazia aquele bando de escritores marmanjos discutindo não o sexo dos anjos, mas o de vampiros e lobisomens? Só quem desconhece os meandros do mercado editorial acredita que marketing faz um livro acontecer. O livro precisa vender muito, sozinho, quase sem esforço comercial, para que o editor se convença a investir em publicidade, distribuição e peças promocionais. Então, vamos partir do princípio de que a série Harry Potter, os vampiros de Stephenie Meyer e seus inúmeros seguidores literários já tinham algo a dizer – e uma multidão disposta a escutar (ou a ler) – antes mesmo que seus editores imprimissem adesivos engraçadinhos e embalagens estilosas. Em comum, as séries misturam dois gêneros que raramente se encontram: os romances de formação e os contos fantásticos.
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