Sociologia da imperfeição
Zygmunt Bauman rebate aqueles que creem que as ciências sociais se tornaram inúteis.
A queda do Muro de Berlim, a crise do marxismo e a decadência das utopias tiveram efeitos devastadores sobre o saber sociológico. No mundo líquido, fragmentado e disforme onde vivemos, dominado pelas formas imperfeitas, não parece mais possível pensar no estudo científico das sociedades e na definição das leis que as regem. Para muitos, a sociologia perdeu a importância. Já não pode dar conta de um mundo que se dilui e não mais se submete a leis fixas. Não é bem o que pensa o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, de 84 anos. Em Aprendendo a pensar com a sociologia (Jorge Zahar Editor, 304 pp., R$ 29,90), livro escrito com Tim May, ele defende a ideia de que a sociologia continua potente, porque continua a desafiar os clichês do senso comum. Praticada não mais como dogma, mas como um instrumento de interrogação da vida social, ela nos faz ver que os aspectos mais familiares da vida podem ser repensados.
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