O feitiço de Noel
Livros, discos e shows revisitam a obra de Noel Rosa em seu centenário. Vila Isabel inicia as homenagens com desfile no Rio.
O que causa espanto na obra de Noel Rosa não é apenas o colossal avanço que ela deu às letras da canção brasileira. É fato que não há como comparar as crônicas primorosas e rimadas do cotidiano, contidas em seus imaginosos versos musicados, com as tentativas de ressaltar com ingenuidade um ou outro episódio meramente curioso, que é o que existia nos sambas de seus antecessores. Noel implantou um novo estilo na música popular, o estilo que acabou vingando na obra de grande parte dos mais conhecidos compositores brasileiros: o do samba urbano, com melodias requintadas e novos motivos poéticos. Seus versos ora coloquiais, ora críticos, ora líricos, ora humorísticos, ora satíricos e muitas vezes filosóficos, moldam esse estilo. Como afirmou o jornalista João Máximo, profundo conhecedor da matéria, “Noel Rosa pode não ter sido o melhor compositor popular de seu tempo, mas foi o mais importante”. Máximo lança, agora, o livro O morro e o asfalto no Rio de Janeiro de Noel Rosa (Aprazível, 204 pp., R$ 140).
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