Centro de liberdade definitiva
O rapper e escritor Afro-X, que passou três anos e meio encarcerado no Carandiru, visita a Biblioteca de São Paulo
“Muito ‘loco”. Essas foram as primeiras palavras que Cristian de Souza Augusto, o Afro-X, 36 anos, pronunciou ao cruzar a porta da imponente Biblioteca de São Paulo. A paisagem atual em nada lembra o que ele viu durante os três anos e meio em que viveu no lugar, ocupando ora o pavilhão oito, ora o sete do Carandiru. “É doido ver essa construção suntuosa no lugar de tanta desgraça”, diz ele enquanto sobe as escadas do espaço, que levam a um mundo de prateleiras, cores e títulos. “Poderia trazer um livro meu para colocar aqui”, pensa em voz alta. Batizado de EX-157 – A História que a Mídia Desconhece, a estreia de Afro-X no mundo da literatura chegou às lojas – ou à algumas delas, já que a publicação é independente – em 23 de abril de 2009. Dia em que o artista quitou sua dívida de 14 anos de condenação com a “Justiça dos homens” por roubo.
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