A musa de Pirandello
Tese de professora brasileira mostra como a dramaturgia do maior nome do teatro italiano foi marcada pela paixão por sua atriz Marta Abba
Uma original pesquisa sobre o dramaturgo italiano Luigi Pirandello (1867-1936), escrita pela professora de artes cênicas, atriz e diretora teatral Martha Ribeiro, acaba de trazer uma valiosa contribuição para o entendimento do teatro do Prêmio Nobel de Literatura de 1934. Os dez últimos anos da dramaturgia do autor de Seis personagens à procura de um autor são examinados em sua tese, ou seja, do momento em que ele assumiu – com a ajuda de Mussolini, antes de se tornar antifascista – a direção do Teatro d”Arte di Roma, em 1925, até sua morte. Em Luigi Pirandello: Um teatro para Marta Abba (Perspectiva, 367 pp., R$ 52) não se discute o apoio dado por Pirandello ao fascismo – ele chegou a doar sua medalha do Nobel ao governo fascista após a Itália declarar guerra à Etiópia, em 1935. Discute-se, antes, sua paixão por uma atriz com idade para ser sua filha, intérprete de peças memoráveis como a inacabada Os Gigantes da Montanha. Pirandello tinha, então, 58 anos quando conheceu Marta Abba, de apenas 25.
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