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Lembranças cinematográficas

07 de fevereiro de 2010
2 min de leitura

Jean-Claude Carrière relembra o cineasta Luis Buñuel, cujas memórias ajudou a escrever no livro Meu último suspiro, que ganha reedição brasileira

“Precisamos começar a perder a memória, ainda que gradativamente, para nos darmos conta de que é essa memória que constitui a nossa vida. Uma vida sem memória não seria nada, assim como uma inteligência sem possibilidade de expressão não seria inteligência”. Com tal pensata, o cineasta Luis Buñuel (1900-1983) dá boas vindas ao leitor que se aventura a esmiuçar suas tortuosas lembranças na “semibiografia” Meu último suspiro (Cosac Naify, 376 pp., R$ 55) escrita em colaboração com o roteirista francês Jean-Claude Carrière. Invadida por uma profusão de armadilhas, invenções e devaneios, a memória de Buñuel, assim como a de todos nós, vacila e trapaceia contra a vigilância do diretor. Como num fluxo inconsciente, deixa escapar uma narrativa oral que valoriza e ergue à superfície suas reminiscências. Ao subsistirem à passagem do tempo, elevam-se à boca de forma inesperada e assumem condição de verdade histórica – ao menos pessoal, única e intransferível.

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