Mestre e amigo
Colunista do Ideias, Wilson Martins foi um crítico que julgava no rosto do autor
Em uma de suas teses sobre a técnica da crítica, Walter Benjamin diz: “A posteridade esquece ou celebra. Só o crítico julga no rosto do autor”. Desde 1942, quando iniciou suas atividades no jornal O Dia, de Curitiba, até outubro de 2009, na Gazeta do Povo e neste Ideias, do Jornal do Brasil, Wilson Martins (1921-2010) veio julgando a literatura brasileira. E muitos autores lhe viraram o rosto por causa disso. Morrendo solitariamente (apenas no conforto da família) e sendo velado por um pequeno grupo de amigos, Wilson Martins manteve a coerência de uma trajetória. Não escrevia por amizade aos autores, mas por amizade aos livros. E é isso que faz de seu legado crítico não apenas o maior conjunto de análise de obras brasileiras como o mais rico por sua isenção, por sua coragem de avaliar obras no calor da hora. Seu ensaio maior, História da inteligência brasileira, em sete volumes, acompanha ano a ano a produção editorial brasileira.
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