Contra o vale-tudo na arte
Quem já não se irritou numa exposição de arte contemporânea?
Montinhos de areia, TVs fora de sintonia, ordenações banais de objetos idem, sacos de lixo empilhados, animais esquartejados e outras tentativas patéticas de chocar. Quem já não se irritou numa exposição de arte contemporânea? Em A grande feira (Civilização Brasileira 240 pp., R$ 34,90), o jornalista Luciano Trigo pretende apresentar, segundo o subtítulo, “uma reação” a esse “vale-tudo”. Segundo o autor, os artistas modernos se empenharam em “renovar o próprio conceito de arte, explorando todas as possibilidades da forma, ao mesmo tempo que se engajavam nas questões éticas e políticas candentes”. Já o pós-modernismo se dedicou “à abolição da necessidade da forma e à desqualificação de qualquer projeto transformador”. “O que era um impulso de libertação do olhar (…) acabou resultando na dissolução do olhar, ou ao menos de um certo tipo de olhar, associado à experiência estética”, escreve o autor, explicitando o que caracteriza como a falta de critério (o “vale-tudo”) da arte contemporânea.
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