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Schiele produz manifesto em nome da arte

30 de janeiro de 2010
2 min de leitura

Livro traz texto e desenhos dos 24 dias em que o pintor austríaco ficou detido

Apesar de sua curta carreira, o pintor austríaco Egon Schiele (1890-1918) é um dos principais expoentes do expressionismo no início do século 20. Suas imagens distorcidas, em sua maioria de personagens femininas, revelam os dilemas causados pela transformação de valores do início daquele século. A liberalidade sexual que se opunha ao moralista processo civilizador estava entre um dos principais itens da agenda naquele momento, e Na prisão (Kadyc Editorial, 88 pp., R$ 47 – Trad. Claudia Abeling), que Schiele escreveu a partir dos 24 dias em que esteve preso na Áustria em 1912, acusado de ter exposto trabalhos pornográficos a menores, revela que o artista não só foi um grande pintor como também um excelente escritor. Na prisão possui um texto nervoso, assim como nervoso foi o traço do artista. Ao receber material para desenhar e escrever, após dias na prisão, Schiele afirma: “Consigo trabalhar e assim suportarei o que senão seria insuportável. Para isso me ajoelhei, me humilhei, supliquei, orei, mendiguei, e teria ganido, caso não houvesse outra saída. Oh, arte! – O que não faço por você!”.

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