As múltiplas angústias e facetas de Mutarelli
Depois de experimentar o cinema, o teatro e a literatura, um dos mais premiados
Cansado do trabalho árduo que é produzir uma história em quadrinhos, o paulista Lourenço Mutarelli tomou uma decisão difícil há pouco mais de três anos, logo depois da estreia do filme “O cheiro do ralo”, que levava para as telas um romance escrito por ele. No final de 2006, Mutarelli resolveu abandonar a profissão que lhe rendera, em quase 20 anos de carreira, oito prêmios HQ Mix, o maior do gênero no Brasil. O sucesso do longa-metragem dirigido por Heitor Dhalia e protagonizado por Selton Mello contribuiu para a inclinação de Mutarelli por outros projetos, fundamentalmente a literatura. “Quando o filme aconteceu, eu vivi os dois melhores anos de minha vida”, explica o autor, de 46 anos. “Foi muito bom porque eu me socializei mais. Eu era fechado, saía pouco. Aí tive a experiência de atuar, inclusive no teatro, e de fazer outras coisas, além dos quadrinhos. E ainda consegui ter espaço na literatura”. Apesar de o ano passado ter sido um período especialmente ruim para mim, pois me perdi em dívidas, ainda assim estou bem melhor do que em outros tempos, sem dúvida”.
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