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Sem tempo para pensar no tempo

29 de janeiro de 2010
2 min de leitura

esde que foi eleita para a ABL, a professora de literatura Cleonice Berardinelli trabalha tanto que está sem horário livre até para suas caminhadas na praia

Num dos armários de seu apartamento de Copacabana, Cleonice Berardinelli, de 93 anos, guarda uma pilha de fotos, entre as quais pode estar uma em que aparece caracterizada de Mofina Mendes, personagem desbragada de Gil Vicente. Mas a professora de literatura não consegue organizar a pilha para encontrar a prova da sua experiência de atriz nos anos 1940, quando encantou Manuel Bandeira: “Falta para mim essa coisa inatingível que é o tempo; o que me sobra é trabalho”. Agora ainda mais, desde que foi eleita, no mês passado, imortal na cadeira número 8 da Academia Brasileira de Letras (ABL), onde tomará posse em 5 de abril. No momento, começa a escrever o discurso da posse, no qual homenageará o escritor e jornalista Antônio Olinto, que ocupava a cadeira, e lembrará os outros acadêmicos que a antecederam. Professora emérita na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde leciona às quartas e quintas, ela prepara as palestras que vai apresentar neste primeiro semestre na Europa: em Paris, falará sobre o poeta Cesário Verde e, em Lisboa, a respeito dos cem anos da República de Portugal. Confira a entrevista concedida por Cleonice ao Valor.

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