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Faustini e as baganas de pensamento

23 de janeiro de 2010
1 min de leitura

Sem vestir o figurino do excluído, autor traça autobiografia sentimental e divertida

Assombrado pelo clima de violência real, só existe um jeito de o carioca retomar a cidade para si: conhecê-la de cima a baixo, cruzar seus bairros e túneis, circular por ela como se estivesse em casa – como, de fato, está. Entocar-se não é a solução. Em princípio, pode não ser tarefa fácil, mas quem disse que tudo tem que ser fácil? Um bom exemplo para quem pretende empreender essa aventura está em Guia afetivo da periferia (Aeroplano Editora, 188 pp., R$ 32), de Marcus Vinícius Faustini. O autor faz dessa autobiografia precoce uma breve atualização de Lima Barreto, João do Rio e tantos outros escritores que não deixaram de viver a cidade, tentando deixá-la um pouco melhor, graças aos seus testemunhos e críticas. Logo de cara, portanto, vemos aí a grande responsabilidade que, talvez sem querer, Faustini tomou para si, ao embrenhar-se na decantada alma encantadora das ruas para criar boa literatura.

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