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Veias abertas da ficção

23 de janeiro de 2010
1 min de leitura

De como a pluralidade e heterogeneidade marcam a história do romance, de Dom Quixote a Finnegans Wake

Dom Quixote se movia com base num a priori abstrato diante da vida. Os romances do século 19 prescindem desse a priori e se fundem em outro tipo de adaptação: seus heróis não partem para a ativa correção do mundo. Limitam-se a sofrer em decorrência do fato de que a alma deles é mais ampla do que os destinos que o mundo pode lhes oferecer. O ponto alto dessa segunda espécie de romances seria a Educação sentimental, de Flaubert. Vem daí, ironicamente, as expressões “escritor” e “autor de romances”, tendo o primeiro um alto grau de afirmação estética, e o segundo um desejo de apenas contar histórias. No Brasil, a retomada da epopeia sem que o romance perca as contribuições da modernidade estão, por exemplo, em Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa, e A pedra do reino, de Ariano Suassuna, com seus heróis revendo o mundo com seus feitos brilhantes, enquanto mergulham numa luta interior, ainda que não psicológicas, para efeito de análises.

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