Contos traçam mosaico de existências esgotadas
Ana Paula Pacheco tece alegorias sobre vulnerabilidade em narrativas breves
O título A casa deles (Nankin, 96 pp., R$ 25), do livro de contos de Ana Paula Pacheco, foi extraído de um trecho de A construção, de Kafka, utilizado como epígrafe: “Aqui não importa que se esteja na própria casa, pois o fato é que se está na casa deles”. Vale lembrar que, no relato kafkiano, o narrador que constrói um refúgio subterrâneo, para se proteger de inimigos pressentidos por rumores e movimentos difusos, acrescenta à insegurança quanto ao destino uma incerteza, para o leitor, a respeito de sua identidade. Nenhum dos contos de Ana Paula traz o título “A casa deles”, mas todos de algum modo são atravessados por essa mesma forma de descrever existências precárias. Embora a ênfase seja em personagens que representam espaços de exclusão (moradores de rua, empregadas, pais que abandonam o lar, hóspedes de asilos e sanatórios), existe uma voz neutra a uniformizar até mesmo os contos que abordam outros estratos.
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