Visões da violência no paraíso
Peter Jackson causa polêmica com sua adaptação de best-seller de Alice Sebold sobre assassinato de garota
Enquanto o livro deixa as imagens das cenas descritas em suas páginas a cargo da imaginação do leitor, a versão para o cinema tem o poder de potencializá-las. Principalmente se o diretor souber aproveitar os recursos de câmera, luz, efeitos sonoros e música e ainda extrair intensas interpretações dos atores. Foi pensando nisso que o cineasta Peter Jackson decidiu ignorar as passagens de estupro, assassinato e desmembramento da menina de 14 anos ao transpor para a tela a obra Uma vida interrompida – memórias de um anjo assassinado (Ediouro, R$ 36,90), de Alice Sebold. Publicado em 2002, o livro já vendeu mais de 10 milhões de cópias ao redor do mundo, em mais de 40 idiomas. Ele descreve em detalhes o horror que a personagem teria vivenciado – antes de morrer e passar a narrar sua tragédia do céu. Parte do sucesso da obra se explica pela ousadia da autora, em apresentar uma adolescente como narradora de história tão perturbadora.
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