O amor nos tempos da revolução
Pepetela escreve drama em torno da luta pela independência de Angola
A história contada em O planalto e a estepe (Leya 188 pp., R$ 34,90) é baseada em fatos verídicos, alguns vividos pelo próprio Pepetela. Nascido em Benguela, Angola, em 1941, o escritor descende de pai português e mãe angolana branca, que o ensinaram a gostar da diversidade cultural do país. Era universitário em Lisboa em 1961, quando estourou a revolta que originou a guerra pela independência. Como muitos conterrâneos de sua geração, o escritor tornou-se guerrilheiro do Movimento Pela Libertação de Angola (MPLA). Antes de partir para o combate, deixou de ser Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos e assumiu o nome de guerra de Pepetela, traduzindo para o umbundo um dos seus sobrenomes. Passou bom tempo no exílio, na França e na Argélia, onde se formou em Sociologia. A guerrilha anticolonial em Angola iria durar até a queda do ditador português António Salazar, em 1975. Pepetela foi, então, nomeado vice-ministro da Educação no governo de Agostinho Neto. Angola, porém, ainda enfrentaria longa e sangrenta guerra civil, na qual muitos dos que lutaram pela revolução acabaram agentes do mesmo tipo de opressão que combateram.
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