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Vidas e miragens exemplares

14 de novembro de 2009
2 min de leitura
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Em O desafio biográfico, o historiador François Dosse discute as origens da biografia e suas mutações

“Febre biográfica” é a expressão que o historiador francês François Dosse utiliza para definir a onda que nas últimas décadas inundou livrarias e listas de mais vendidos. Os leitores de Fernando Morais (autor de biografias de Assis Chateaubriand e de Paulo Coelho) ou de Ruy Castro (biógrafo de Garrincha, Carmen Miranda, Nelson Rodrigues) conhecem bem esse fenômeno, que no Brasil aclimatou a vertente anglo-saxônica do gênero. Em O desafio biográfico (Edusp, 440 pp., R$ 65 – Trad.: Gilson César Cardoso de Souza), Dosse não se debruça sobre essa tendência, que se aproxima do biografado através de um acúmulo extraordinário de fatos e documentos, às vezes ofuscando as estruturas mais profundas de uma época. Seu foco são justamente as biografias que permitem uma contemplação do pano de fundo social – e que trazem uma questão latente: por que esse gênero, que remonta às Vidas paralelas, de Plutarco, ou à Vida dos 12 Césares, de Suetônio, viveu um período de eclipse nos séculos 19 e 20, antes de ser reabilitado?

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