Amós Oz se afasta de cotidiano de guerra
Contos de escritor israelense deixam de lado brigas, atentados e cenários reais
Existem nomes que condicionam destinos. O profeta Amós era um duro crítico dos ricos e dos poderosos: “Ai dos que dormem em cama de marfim”, diz ele, numa conhecida passagem. O escritor israelense Amós Oz não é muito diferente de seu homônimo bíblico, como constatei recentemente ao participar com ele num debate realizado na Feira do Livro Judaico, em Londres. Mais uma vez ele mostrou sua implacável coerência. Pacifista atuante, mas não ingênuo, Oz externou seu apoio à retaliação israelense contra as ações do Hamas em Gaza, criticando, contudo, o fato de que, não restrita a uma operação de objetivos precisos e limitados, a operação acabou resultando em uma verdadeira guerra com centenas de vítimas civis. Para os numerosos leitores de Oz, Cenas da vida na aldeia (Companhia das Letras, 182 pp. R$ 38 – Trad.: Paulo Geiger) não deixará de se constituir numa surpresa. Nenhum dos dramas que fazem parte do cotidiano israelense está presente aqui: não há guerras, não há atentados, não há brigas com os palestinos.
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